quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

O Cigarro

Um toco na pia do banheiro
Feito de palha
Deixando cinzas no azulejo
Aquela mesma antipatia de sempre
Pobre ser, o que fuma!


domingo, 16 de setembro de 2012

69

Era pra ser apenas um número,
ou é pra ser sexo.
Falar de sexo com número,
é a mesma coisa que não fazer.

Este número vi na rodoviária de BH,
num daqueles carregadores de mala.
Será que zoam ele quando veem o número?

Não sei ao certo
nestes versos inconclusos, tortos,
de pouco cadenciamento,
um número fica na memória,
é de certo não é sexo.

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

A mulher de biquíni na Savassi

A espera de um amigo
Próximo à praça da Savassi
Surge uma mulher
Rasga o cartaz de um político
Com ele em mãos
Deita perto da fonte
Como ela mesma diz
Uma cachoeira invertida
Vestida com seu biquíni azul céu
E umas gordurinhas  a mais
Escarrapacha na beirada         
Tira foto, vira famosa por um dia
Vai embora feliz e acompanhada.

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

A crente chique

Sandalha de plástico,
saia jeans,
cabelo preso igual rabo de cavalo.
Compra adoidado.
Sou chique bem,
adoro as últimas tendências gospeis.
Só o figurino é que não muda.

Cliente chata

A mulher entra na loja reclama do preço, reclama da cor chamando-a de morta, reclama do tecido e vai embora. Lembra-me daquelas mulheres mal amadas e resolvidas que precisam por tudo pra baixo para se sentirem o máximo. Mulheres assim, são como batatas. Se você cozinhar viram purê, aquela pasta sem forma e sem substância.

segunda-feira, 11 de junho de 2012

O vestido vermelho

Baila com seu vestido vermelho
Os opostos e complementares
Dançam em contra pontos
Fazendo linhas não lineares

Sentada no sofá
Eu de frente observo
Os pés mexendo, trêmulos
E aquele olhar hipnotizante

Por um segundo
Estou no meio
Danço sem saber dançar

Na figura de um pensador
Olhando adiante teus olhos que me tocam
Compenetrado esqueço que existo.

segunda-feira, 4 de junho de 2012

Desejo ninfal

Ao L. B.

Aqueles jovens que hatibam minha cama
Perfumam ao deleitoso prazer
Incendeiam de orgasmo voluptuoso
O gosto pela juventude
Sinto-me mais moço
Como se bebesse do néctar
A beleza sendo sugada
Auréolas de anjos
E corpos profanando-se




quinta-feira, 24 de maio de 2012

Ao Arthur

Este sobrinho que vos conto
Tinha os seus 4 anos
Quando resolvi apresentar-lhe um livro
Nele continha fotos de anfíbios anuros
sapos, rãs e pererecas
Logo o chamo
Arthur vem cá ver um livro de pererecas
Ele com aquela esperteza só dele
Olhando para mim com seu sorriso maroto e disse:
Perereca de mulher, tio.

quarta-feira, 23 de maio de 2012

Dando a volta no marido

A mulher descobri pela filha
que o marido a traia pelo facebook
Com as artimanhas femininas
ela cria um perfil falso
enviando-o um convite
Marido sabe como é
tonto de dar dó
caiu na arapuca
Toda dengosa e maledecente
covence-o de ficar pelado
Ele de florete na mão
diante de uma webcam
Ela, entra no quarto e diz
Oi querido aqui é a Josefina
Tamancos para o alto
E eu rindo desse causo

terça-feira, 22 de maio de 2012

Uma vez biólogo


Fui aluno de poucas palavras
A história consumia meus pensamentos
Aquele imaginar infantil
Transportava-me para lugares que nunca conheceria
A vida mudou de rumo
Ou eu mudei de rumo
Os seres vivos tomaram conta
Herpetólogo considerei-me um breve dia
E como era bom escutar o canto dos sapos
E assim dá-lhes nomes científicos
Guardei tudo na memória afetiva